olhar versus sorriso
Sempre gostei de observar o mundo à minha volta, sobretudo as pessoas, e desde que comecei a entusiasmar-me pela actividade do sketching noto claramente que tudo começa no olhar.
Olhar com olhos de ver é um requisito necessário para melhor registar no papel e guardar na memória.
Olhar com olhos de ver carece de atenção plena, e essa concentração meditativa tem um efeito terapêutico, zen.
Também é o olhar que distingue o fotógrafo.
O olhar da Gioconda, tal como o sorriso, é especial. Os seus olhos fixam os nossos mas, ao invés de transmitir qualquer tensão, parecem compassivos.
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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Perspectivas loucas - sketching em Nelas

Nelas é uma cidade da beira alta a vinte e poucos quilómetros de Viseu cuja importância relativa se deve apenas à estação de comboios e à linha que a liga ao resto do País pela rede ferroviária.

Na 5ª. feira passada, aproveitando a tarde de um dia que voltou a ser feriado, o dia de Corpo de Deus, andei no centro de Nelas a rabiscar uns edifícios que me pareceram interessantes.





Para quem, até há bem poucos meses, ia aos encontros dos Foto&Sketchers 2´´ e apenas fotografava porque dizia que não sabia desenhar, tenho-me surpreendido a mim mesma com os resultados da prática e da observação crítica dos meus desenhos.

Das várias dificuldades que sinto destacam-se claramente as perspectivas, as proporções e a tendência para os desenhos grandes que não cabem nas folhas ou que no final, por causa da dimensão, não ficam equilibrados ou harmoniosos.

Desta vez tive uma luta renhida com as perspectivas.





Que culminaram nesta perspectiva ainda mais estranha. 
Depois de várias tentativas de desenhar este edifício que não me agradaram,



decidi desenhar apenas o pormenor da varanda e estava toda animada com o efeito quando percebi que o estava a fazer como se o estivesse a ver de cima...



É evidente que não sou uma sketcher voadora por isso relevem estas perspectivas loucas.
Da próxima ficará melhor.



sábado, 28 de maio de 2016

Mensagem

A palavra Mensagem, segundo o poeta, deriva anagramaticamente do sintagma latino "mens agitat molem" - é o espírito que move a matéria.

Que o meu me guie para longe deste descontentamento.


Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura,
Nada na alma lhe diz
Mais do que a lição da raiz _
Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem 
Pela visão que a alma tem!

(...)

Fernando Pessoa - Mensagem 
Terceira Parte - O Encoberto
I . Os Symbolos
O Quinto Império 21.2.1933




Pity the stay-at-home,
Happy at his hearth,
Without a dream, lifting high,
To stir his embers till they burn
In that hearth he must abandon!

Pity the happy-go-lucky!
He lives because life goes on.
Nothing at heart will tell him
More than that root lesson _
To make of his life his tomb.

Age after age disappears,
Filling time with ages to come.
Being man is being discontent.
Let blind forces be overcome
By the visionary soul!

(...)

Fernando Pessoa - Message
Third Part - The Hidden One
I . The Symbols
The Fifth Empire  21.2.1993


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Sketching nas margens do Tejo

Na manhã do sábado passado realizou-se um Workshop de Introdução ao Diário Gráfico para iniciantes na Biblioteca da Trafaria, onde o Tejo se faz ao Mar.
Dirigido sobretudo à comunidade local, os orientadores Henrique Vogado e Rita Caré procuraram incutir o espírito Urban Sketcher nos participantes.
Houve uma enorme adesão a esta iniciativa e consta que foi muito interessante e motivador.

O programa da tarde foi um encontro livre de diários gráficos pela Trafaria sem limite de adesões nem desafios específicos e, apesar do frio e do vento, participaram bastantes Urban Sketchers aos quais me juntei animadamente.

Cheguei perto da Torre de Belém no final da manhã e fui andando e fotografando até chegar ao cais de embarque.



Como só há barcos de hora a hora, enquanto esperávamos fiz o meu primeiro rabisco do dia.



O barco sai do Cais de Belém e vai para a Trafaria com uma primeira paragem em Porto Brandão.




Fui "apanhada" em plena actividade dos rabiscos:



E aqui os resultados finais:




No fim juntámo-nos todos, como de costume, para partilhar os sketchs, os cadernos, opiniões e ideias.
Gente gira, simpática, criativa e talentosa, cada um à sua maneira.
Cada vez gosto mais destes convívios.

Apanhámos o penúltimo barco do dia para regressar à nossa margem.





Ao fim da tarde o azul do céu insinuava-se timidamente por entre as nuvens mas o sol já descia na direcção da linha do horizonte.
Ainda assim, parei a meio do caminho para desenhar o Padrão dos Descobrimentos e a vista do rio Tejo até às estruturas e guindastes que tinha rabiscado na outra margem.




No fim, tive de acelerar o passo para estimular o aquecimento do meu corpo pouco agasalhado para esta primavera outonal.



quarta-feira, 18 de maio de 2016

Natureza florida

Não me lembro duma primavera com um clima tão inserto, mais parece um outono chuvoso e frio.

A natureza pujante, há meses adormecida, hibernada, desabrocha mal sente um raio de sol prazeroso.
Não imagina que dois ou três dias depois volta a sentir frio, vento e chuva como se a estação voltasse atrás.

Eu que sou uma mulher da cidade, observo fascinada a vida no campo, aqui na beira da serra.

Primeiro foram os campos a cobrir-se de flores silvestres.







Depois foram as árvores de fruto a florir.
Cerejeiras, pessegueiros, pereiras, marmeleiro e mesmo a laranjeira dão flor na primavera mas cada uma demora o seu tempo a amadurecer os frutos.








domingo, 20 de março de 2016

O mar da Nazaré

Foi em Novembro de 2011 que o surfista Garret McNamara colocou a Praia do Norte da Nazaré no centro do mundo ao apanhar uma onda gigante com quase 30 metros, feito que ficou registado como um record no Guiness Book.

Por razões climatéricas e graças ao desfiladeiro submarino de origem tectónica chamado Canhão da Nazaré, no final do mês de Outubro começa a época das ondas gigantes que agora atraiem ainda mais surfistas.

Em meados de Novembro do ano passado lá fomos em passeio na esperança de vêr o espectáculo ao vivo mas o mar estava muito calmo.

Foi um dia muito agradável com sol, pouco vento e tanto mar.

















Ainda tive tempo de fazer um rabisco que aperfeiçoei e pintei depois em casa.




quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Aquário Vasco da Gama em Algés - Encontro FS 2"

Há anos que não ía ao Aquário Vasco da Gama em Algés, desde que as minhas filhas eram crianças.

Relegado para segundo plano pelo grande Oceanário situado no Parque das Nações desde a Expo98, não perdeu a sua importância principalmente pela representação das espécies e pelas colecções patentes no museu.
Também se destaca a colecção oceanográfica do Rei D. Carlos I, um dos pioneiros mundiais no estudo da Oceanografia no final do século XIX e um forte apoiante da concepção deste espaço.

Foi no âmbito de um encontro organizado pelo grupo Foto&Sketchers 2" que lá voltei neste domingo, para desenhar e fotografar.

Primeiro fiquei fascinada por este aquário, os peixes, os corais e outros que tais, tanta vida colorida.





Mas foram os exemplares estáticos que eu consegui desenhar:







Para verem mais fotografias cliquem nos links Outros Seres Aquáticos e Peixes no Aquário.


FOTOS PUBLICADAS NO BLOG Foto e Sketchers 2" / PARTILHADAS NO BLOG sorriso de gioconda


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Quinta da Regaleira II mística com excentricidade


A Quinta da Regaleira foi concebida com uma intensa carga simbólica tanto nos pequenos detalhes arquitectónicos como nas construções só aparentemente naturais, de túneis, grutas e poços espalhados pelos jardins.


Os túneis subterrâneos são percursos que ora nos levam para becos sem saída, como nos elevam para outro patamar.




Os famosos poços conhecidos por Poços Iniciáticos ou Torres Invertidas são lugares acessíveis por alguns túneis escuros que nos levam às suas profundezas para admirarmos a luz no alto e permite, subindo as escadas espiraladas no seu interior, alcançar o topo como objectivo de chegar a um estado iluminado.



Imbuído de mistério e magia, a representação de um inferno dantesco, o mundo subterrâneo do qual se partia, num ritual iniciático, até atingir o paraíso num jardim harmonioso alinhado pela luz do conhecimento, da cultura e da arte.

A visão de um homem ou a inspiração de uma sociedade ou associação filosófica, iniciática que aspira ao aperfeiçoamento intelectual resultaram na construção deste espaço de uma beleza alegórica em todos os pormenores.


A simbólica viagem do interior obscuro cheio de dúvidas e questões para a luz da sabedoria é, para mim, a alegoria da viagem que cada um faz na vida.


Quinta da Regaleira I em Sintra


A pouca distância de Lisboa, encavalitada na Serra, com vista para o Mar, Sintra é uma vila muito especial.

Cativa os visitantes pelo encanto das suas histórias de reis e rainhas, palácios e castelos, jardins e florestas, das vielas, da serra e das praias.
Antigo retiro das cortes no verão, logo refúgio de escritores e poetas, pintores e amantes

A sua existência remonta a um tempo anterior ao próprio país, Portugal.

Bem no centro está o milenar Palácio Nacional de Sintra que começou por ser árabe, tal como o Castelo dos Mouros, e foi sendo ampliado e  embelezado desde o reinado de D. Dinis, destacando-se os revestimentos a azulejos e os elementos decorativos nas portas e janelas muito conhecidos pelo estilo manuelino, já no reinado de D. Manuel I.

Um dos mais excêntricos monumentos situa-se no termo do centro histórico da vila, na romântica e antiga Quinta da Torre outrora pertencente à Viscondessa da Regaleira, e foi construída na primeira década do século XX pelo milionário António Augusto Carvalho Monteiro com o génio criativo do arquitecto e cenógrafo italiano Luigi Manini, e outros artistas de grande mérito.

A Quinta da Regaleira em estilo predominantemente neo-manuelino e renascentista, diferencia-se tanto pela arquitectura do Palácio, os jardins de botânica exotica e árvores seculares, a capela e outros edifícios, mas sobretudo pelas fontes, terraços, grutas, túneis subterrâneos e poços que indiciam uma viagem mística e uma maçónica iniciação.




    



          



 


"Nestes domínios vislumbram-se referências à Mitologia, ao Olimpo, a Virgílio, a Dante, a Milton, a Camões, à missão templária da Ordem de Cristo, a grandes místicos e taumaturgos, aos enigmas da Arte Real, à Magna Obra Alquímica.
Esta sinfonia de pedra - cinzelada pelas mãos dos construtores de Templos imbuídos num verdadeiro espírito de Tradição - revela a dimensão poética e profética de uma Mansão Filosofal Lusa"
em www.cultursintra.pt