olhar versus sorriso
Sempre gostei de observar o mundo à minha volta, sobretudo as pessoas, e desde que comecei a entusiasmar-me pela actividade do sketching noto claramente que tudo começa no olhar.
Olhar com olhos de ver é um requisito necessário para melhor registar no papel e guardar na memória.
Olhar com olhos de ver carece de atenção plena, e essa concentração meditativa tem um efeito terapêutico, zen.
Também é o olhar que distingue o fotógrafo.
O olhar da Gioconda, tal como o sorriso, é especial. Os seus olhos fixam os nossos mas, ao invés de transmitir qualquer tensão, parecem compassivos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Eu gosto é do verão

Este ano o verão tardou, mas veio bem quente.
Até houve dias em que se atingiram mais de 40ºC. na zona de Lisboa, à sombra.
Aqui, estas temperaturas não são muito vulgares e as pessoas não se habituam, andam completamente esbaforidas à procura de lugares frescos, de preferência com ar condicionado.

Para mim a solução ideal é ir para a praia. E não me venham falar das águas quentes das praias tropicais porque, com este calor, o que sabe bem é o nosso mar atlântico para refrescar a valer.

Ia para São João da Caparica, a praia do costume logo ali ao virar da ponte, mas acabei por ir para a Fonte da Telha.
Assim, encontrei-me com três primos e seis primas, uma bela quota, que valorizaram altamente o meu dia.




Foi fantástico!
Além de pôr a conversa em dia, tomei excelentes banhos de mar e rabisquei umas cenas de praia.
Cenas com pessoas desconhecidas, claro!





sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Pôr-do-sol visto de Montemor-o-Novo

No regresso de Arraiolos, mesmo ao final do dia, parei e Montemor-o-Novo e subi ao castelo.
Têm sempre vistas privilegiadas, os castelos espalhados por este País.

Do lado nascente as sombras alongavam-se e estava a ficar frio, mesmo a pedir um agasalho.





Do lado poente o vento ainda era uma brisa tolerável. 

As cores quentes do pôr-do-sol iluminavam a paisagem com a sua magia.









Ali fiquei até o sol desaparecer no horizonte.
Sozinha, com o frio a entranhar-se na pele, pensando nas pessoas com quem gostaria de partilhar este momento, esta visão, esta beleza tranquila.
Esta vontade de seguir viagem...


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

The Tall Ships Races - Lisboa 2016

Os grandes veleiros voltaram a Lisboa.
Nos poucos dias que ficam no Tejo, atracados no cais de Santa Apolónia, atraem milhentas pessoas para os visitar, fotografar e, evidentemente, para os desenhar.





Aquelas construções imponentes, cheias de mastros, cabos, velas, bandeiras e bandeirolas coloridas e outros apetrechos, são um desafio alucinante para qualquer sketcher



Numa edição anterior, penso que em 2012, Tall Ships Races passou por Lisboa e não tive oportunidade de a visitar.
Na altura nem sequer desenhava em diário gráfico, mas fiquei deslumbrada com as fotos e vídeos partilhados, sobretudo do desfile de despedida dos barcos na foz do Tejo.

Desta vez foi o convite de uma de nós que juntou cinco amigas rabiscadoras no sábado de manhã, bem cedinho.
Começámos logo a desenhar, mesmo antes do recinto abrir.



A meio da manhã já estava calor, mas ainda conseguíamos estar no sketching ao sol. 
Concentradas ou em pose para a fotografia.
Divertidas, com toda a certeza.


A réplica da Caravela Portuguesa Vera Cruz foi aqui, o centro das nossas atenções. 
Outros barcos que navegavam ao largo também foram registados.




O tempo passou num instante, ao início da tarde já o sol era abrasador e a quantidade de pessoas a visitar o evento era cada vez maior.

Tive dificuldade em fazer boas fotografias porque existiam muitas barreiras e instalações que estragavam o visual quando me afastava para enquadrar um veleiro inteiro ou a perspectiva de vários alinhados.
A maré vazia também escondia uma parte dos cascos.



Podia ter feito mais sketchs?
Podia. 
Omitia os obstáculos, os estorvos estéticos e desenhava as embarcações em todo o seu esplendor.
Podia, mas não fui capaz.
Fiquei esmagada, overwhelm, com a grandiosidade e complexidade dos modelos.
Talvez para a próxima esteja mais preparada e mais afoita.


domingo, 31 de julho de 2016

Alandroal e Estremoz - dia do regresso

Quando vinha na direcção de Monsaraz passei por um entroncamento com uma seta para o Alandroal.
Porque nunca lá tinha ido e porque me lembrei de que os Évora Sketchers fizeram lá o encontro de Natal que ficou memorável por ser o mais frio por oposição a este mais quente na Amareleja, resolvi ir por ali.
E fui, sem GPS, seguido as setas e indicações topográficas, mas sem fazer a mínima ideia da distância que iria percorrer até lá chegar.
Passava das quatro da tarde, hora de calor, domingo... acho que os espertos dos alentejanos estavam recolhidos a dormir uma sesta pois quase não vi ninguém nas várias vilas e aldeias por onde passei.
Estradas secundárias não muito largas mas em bom estado, pouquíssimo trânsito, campo a perder de vista, algumas elevações de terreno e muita planície.
Em pouco mais de uma hora cheguei ao Alandroal, dirigi-me ao centro e estacionei na melhor sombra que encontrei perto do Castelo.





Mal saí do carro comecei a ouvir uns acordes musicais, entrei no Castelo e, num recanto atrás da Igreja rodeado de muralhas, com uma acústica fantástica, estava a decorrer um festival de Bandas Filarmónicas.



E foi assim, da forma mais imprevista, que passei uma boa parte da tarde domingueira a ouvir música naquele ambiente simpático.
Algumas músicas não faziam muito o meu género, eram mais ao estilo filarmónico mas também tocaram outras melhores e mais Rock Pop, como por exemplo dos Queen, uma das minhas bandas preferidas.




Após analisar os percursos para casa no Google Maps, decidi ir ainda a Estremoz, uma cidade linda e cheia de edifícios interessantes para desenhar.




Quando reparei que eram oito e meia da noite ainda pensei em jantar mas os restaurantes e cafés, sobretudo os que tinham esplanadas, estavam cheios com toda a gente a olhar para os ecrãs de televisão a ver futebol.
Assim resolvi voltar à estrada, desta vez sem mais desvios, direitinha para casa.

Quando cheguei as ruas estavam a encher-se de festa, os carros apitavam freneticamente, as pessoas pulavam histéricas, a cantar, a gritar - Somos campeões! Somos campeões!
A Selecção Nacional tinha acabado de ganhar o jogo final e consagrava-se Campeã Europeia de Futebol!


sábado, 30 de julho de 2016

Mosaraz e Alqueva - o dia do regresso

Depois de passar uma boa parte da manhã numa de photograph and sketch em Carrapatelo, voltei à Quinta de São Jorge para o check-out.
Bagagem arrumada, despedidas feitas e ala novamente para Monsaraz que ao sol tem outra vida. 


 



As lojas para turistas têm artigos giríssimos e artesanato local, sobretudo olaria, muito apelativo.



Almocei num terraço com vista, uma salada colorida e cheia de sabor - ainda um dia me hei-de aventurar a fazer sketchs de comida. 
Enquanto desenhava e pintava a paisagem, cedi à tentação de pedir uma sobremesa - Sericaia com Ameixas de Elvas, mas foi uma decepção. Nem a ameixa era a verdadeira nem a receita da sericaia era a famosa.



A barragem do Alqueva alterou muito o Alentejo. 
Indicaram-me uma "praia" ali perto mas, embora o calor incitasse a um mergulho, só molhei os pés, com sandálias e tudo para refrescar mais, e fiz-me de novo à estrada.








Carrapatelo - o dia de regresso

Domingo, último dia do fim de semana viajado, acordei cedo mas sem pressas.
Depois do pequeno almoço saí de caderno na mão para explorar as redondezas.

Aqui sim, há casas típicas que são uma inspiração para os rabiscos.



Também há outras casas atípicas, mas não merecem nem uma fotografia.